Como legalizar quem empresta dinheiro?

Quem empresta dinheiro por conta própria pode se formalizar por caminhos previstos em lei — para quem empresta a pequenos negócios da própria cidade, o mais conhecido é a Empresa Simples de Crédito (ESC), criada pela Lei Complementar 167/2019 —, e o caminho certo depende de para quem você empresta, onde e com que dinheiro.

Por Equipe MCU SAFE · Atualizado em

Por que formalizar a operação de empréstimo?

Formalizar dá ao negócio um CNPJ, uma conta da empresa, contratos padronizados e números que um contador consegue fechar. Também tira a operação de um terreno arriscado: entre particulares, os juros têm limites previstos em lei — como o Decreto 22.626/1933, a chamada Lei de Usura —, e emprestar com juros como atividade, sem estar formalizado, expõe quem empresta a riscos legais e dificulta cobrar na Justiça quem não paga.

Muita gente que empresta — o que muitos chamam de agiota — quer sair da informalidade e não sabe por onde começar. Não existe um caminho único: depende de como a operação funciona hoje.

O que é a Empresa Simples de Crédito (ESC)?

A Empresa Simples de Crédito é um tipo de empresa criado pela Lei Complementar 167/2019 para fazer empréstimo, financiamento e desconto de títulos de crédito com dinheiro próprio, para pequenos negócios da sua cidade. Ela não é banco nem instituição financeira, e por isso não depende de autorização do Banco Central — mas tem regras próprias.

Principais regras da Empresa Simples de Crédito (LC 167/2019)
RegraComo funciona
Para quem emprestaSó para microempreendedores individuais (MEI), microempresas e empresas de pequeno porte.
Onde atuaNo município da sede e nos municípios vizinhos (limítrofes).
Com que dinheiroSó com capital próprio. Não pode captar dinheiro de terceiros, e o total emprestado não pode passar do capital integralizado.
Quem pode ser donoPessoas físicas, como empresário individual ou sociedade limitada. A mesma pessoa só pode participar de uma ESC.
NomePrecisa ter “Empresa Simples de Crédito” no nome e não pode usar a palavra “banco”.
Como ganhaSó com juros remuneratórios; não pode cobrar tarifa ou outros encargos.
Registro das operaçõesAs operações devem ser registradas em entidade registradora autorizada.
TamanhoA receita bruta anual não pode passar do limite da empresa de pequeno porte.

A ESC serve bem para quem já empresta a comércios e prestadores de serviço da cidade. Se a sua carteira é de pessoas físicas, ela não resolve sozinha — veja a próxima pergunta.

E quem empresta para pessoa física?

Para emprestar a pessoas físicas com formato próprio, os caminhos previstos são regulados pelo Banco Central, como a Sociedade de Crédito Direto (SCD) e a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP), criadas pela Resolução CMN 4.656/2018. Elas exigem autorização do Banco Central e uma estrutura bem maior. Outra possibilidade é atuar como correspondente de uma instituição autorizada, oferecendo o crédito dela. Qual faz sentido depende do tamanho e do jeito da sua operação.

Caminhos gerais de formalização
CaminhoPara quem emprestaAutorização do Banco Central
Empresa Simples de Crédito (ESC)MEI, microempresas e empresas de pequeno porte da cidade e vizinhas, com capital próprio.Não precisa.
Sociedade de Crédito Direto (SCD)Pessoas e empresas, com capital próprio, por plataforma eletrônica.Precisa.
Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP)Liga quem quer emprestar a quem quer tomar, por plataforma eletrônica.Precisa.
Correspondente de instituição autorizadaOferece o crédito de um banco ou financeira, não o próprio.Contrato com a instituição, que é autorizada.

Quais são os passos gerais para formalizar?

  1. Mapeie a operação de hojePara quem você empresta (pessoas ou empresas), em que cidades, com que dinheiro (só seu ou de sócios) e quanto está na rua.
  2. Escolha o caminho com orientaçãoCom base no mapa, um contador ou advogado — ou a consultoria de legalização — indica o formato que se encaixa: ESC, outro formato regulado ou mudança no jeito de operar.
  3. Abra a empresa no formato escolhidoRegistro, CNPJ, conta bancária da empresa e enquadramento tributário.
  4. Padronize os contratosUm modelo revisado por advogado, assinado por todos os clientes, com evidências de autoria e integridade.
  5. Organize a carteira num sistemaCada contrato, parcela, pagamento e lucro registrados, com trilha de quem fez o quê — o que dá base para contador, sócios e fiscalização.
  6. Mantenha a operação dentro das regrasRespeite os limites do formato escolhido (para quem emprestar, onde, com que dinheiro e como cobrar) e revise quando a operação crescer.

Como funciona a consultoria de legalização do MCU SAFE?

Além do sistema, a equipe do MCU SAFE oferece suporte para quem empresta dinheiro por conta própria e ainda não é legalizado sair da informalidade, cuidando de tudo junto com a pessoa, do começo ao fim. A consultoria também atende quem está começando a emprestar e quer montar a operação do jeito certo, e quem já empresta e quer alavancar os recebimentos.

O contato é pelo WhatsApp. Cada caso depende da situação, da documentação e dos órgãos envolvidos, então a consultoria não promete prazo nem resultado. Os guias do MCU SAFE são informativos e não substituem a orientação de um contador ou advogado.

Já formalizou ou está no caminho? Contrato bem assinado faz parte: veja se contrato de empréstimo assinado no celular tem validade e qual sistema usar para organizar a operação.

Perguntas frequentes

Quem é agiota pode virar empresa?

Quem empresta dinheiro por conta própria pode se formalizar por caminhos previstos em lei. Para quem empresta a pequenos negócios da própria cidade, com dinheiro próprio, a Empresa Simples de Crédito (ESC) é o formato mais conhecido. Para outros perfis existem caminhos regulados mais exigentes. O primeiro passo é entender como a operação funciona hoje.

A Empresa Simples de Crédito pode emprestar para pessoa física?

Não para pessoa física como consumidora. Pela Lei Complementar 167/2019, a ESC só faz empréstimo, financiamento e desconto de títulos para microempreendedores individuais (MEI), microempresas e empresas de pequeno porte.

Precisa de autorização do Banco Central para abrir uma ESC?

Não. A ESC não é instituição financeira e não depende de autorização do Banco Central para funcionar, mas precisa seguir as regras da LC 167/2019, como usar só capital próprio, atuar no município da sede e nos vizinhos e registrar as operações.

Usar o MCU SAFE já deixa minha operação legalizada?

Não. O MCU SAFE é software de gestão de operações de crédito: organiza contratos, cobrança e dinheiro, mas não muda a situação jurídica de ninguém. Quem opera responde pela conformidade das próprias operações. Para se formalizar, existe a consultoria de legalização.

Quanto tempo leva para legalizar?

Depende do caminho escolhido, da documentação e dos órgãos envolvidos em cada caso. Por isso a consultoria não promete prazo nem resultado: ela mostra o caminho e acompanha com você.

Empresta por conta própria? A gente legaliza a sua operação.

A consultoria de legalização do MCU SAFE cuida de tudo com você, do começo ao fim. Conte como é a sua operação hoje e a gente mostra o caminho. Também ajudamos quem está começando a montar a operação do jeito certo e quem já empresta a alavancar os recebimentos. Cada caso é um caso: sem promessa de prazo ou de resultado.